Como mudar o seu discurso machista "na sala" te beneficia no quarto
A primeira vez que ouvi a frase “seja uma puta na cama e uma dama na sociedade” eu tinha uns dezenove anos e aquilo permeou os meus pensamentos por muito tempo. Parecia uma frase que me incentivava ser o que eu gostaria na cama, mas também me fez questionar se o que eu faria nela seria avaliado como: puta ou não puta.
Sou uma mulher da década
de 80, isso significa que tive uma educação baseada em o que é ou não é correto
mulheres fazerem na sociedade ou no quarto. Ficar bêbada em público? Vadia.
Usar roupas curtas: vadia. Namorar muitos caras: vadia. Falar palavrões: vadia.
Tive um namorado durante metade
da faculdade que não aceitava que eu o de ‘cara’ porque isso era coisa de puta,
não aceitava que eu usasse algo muito justo ou curto quando saíssemos juntos,
falar alguma ‘obscenidade’ durante o sexo então, era motivo para uma longa D.R.
Naquela época, uma garota
que ganhasse a fama de puta ou vadia na cidade, demoraria mais para conseguir
casar. E ‘ai’ de uma mulher não estar casada antes dos trinta anos.
O problema dessa frase e
de tantas outras frases machistas que classifica o comportamento feminino é que
ela nos limita, principalmente quando a mulher ainda não tem maturidade para
avaliar seus próprios valores e princípios.
Ao escutar coisas assim,
dos homens que admiramos ou temos interesse amoroso, nosso pai ou o namorado, passamos
a guiar nossas atitudes de maneira que os agrade, porque desejamos essa aprovação.
Da mesma forma que uma
criança espera um elogio dos pais quando acertam algo ou um animalzinho pet
espera um biscoito quando faz o que seu dono deseja. É cruel escrever isso, mas
é uma verdade que a psicologia explica como Reforço Positivo, um conceito de
comportamento humano desenvolvido pelo psicólogo norte-americano Frederic Skinner.
No entanto, quando o
assunto é sexo, essa forma de reforço positivo não serve como exemplo, pelo contrário,
é um tiro no próprio pé masculino. Homens não deveriam ditar como mulheres
devem se comportar, no quarto (ou fora dele) porque quando isso acontece, vocês
são privados de terem experiências sexuais com suas próprias mulheres ou com as
futuras.
Se uma mulher que ainda
não tem uma personalidade formada, escuta dos homens como ela deve se comportar
sexualmente, provavelmente vai levar essa referência como parâmetro para sua
vida sexual.
Um exemplo prático sobre
isso é como a igreja católica ditou o comportamento sexual de seus cristãos. Infelizmente
ainda há muitos homens e mulheres que levam as doutrinas católicas ou de outras
religiões bem ao pé da letra, não praticando sexo antes do casamento.
Uma mulher pode ser uma boa profissional, uma boa mãe e ao mesmo tempo livre sexualmente. Se uma coisa não impede a outra, por que alguns homens não conseguem ver na mesma figura da “esposa-mãe dos meus filhos” a mulher bem resolvida na cama?
Se quer viver numa
geração de mulheres inteligentes capazes de auto avaliar o que ela deve ou não
fazer no quarto conforme a própria vontade, dê isso a elas ao invés de
classifica-las como putas ou vadias. Não é um aval, não é o biscoito, não é uma
autorização.
É apenas homens dizendo o que gostam nas mulheres. A força, a confiança, a personalidade, ao invés de declarar e reafirmar discursos pobres e antagônicos de machismo que já deveria ter ficado enterrado no passado. Quando pensar em repetir discursos como esse, lembre-se que só os privam de terem esposas liberais entre quatro paredes.
Beijos, Nina
Precisa de uma consultoria sexual? Me escreve lindahonorato8@gmail.com

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirComo ouvi certa vez: "o contrário do machismo não é o feminismo é o bom senso"
ResponderExcluirSabedoria é para poucos
ResponderExcluirGostei dos textos e de seu blog...
ResponderExcluirSou um blog "indecente". Por isso, peço permissão para entrar aqui e seguir-te!!!
Sinta-se à vontade para deletar meu comentário, caso meu blog ofenda a boa sociedade aqui presente!